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A personalidade de Rosa Luxemburgo Tags: Rosa Luxemburgo comunistas famosos Revolução Alemã revolucionária social-democracia comunismo revolução russa liberdade comunistas históricos

A personalidade de

Rosa Luxemburgo

Ensaios e cartas jogam nova luz sobre personalidade de Rosa Luxemburgo

​Em 18 de novembro de 1918, dez dias após ser libertada da prisão onde passara grande parte da Primeira Guerra Mundial, a jornalista, teórica marxista e líder revolucionária Rosa Luxemburgo, então com 47 anos, escreveu para o casal de amigos Marie e Adolf Geck, que tinham acabado de perder o filho no conflito: “Meus queridos, não se deixem vencer pela dor, não deixem o sol, que sempre ilumina sua casa, desaparecer diante desse acontecimento desesperador. Todos nós estamos sob o domínio do destino cego, meu único consolo é o amargo pensamento de que também eu talvez seja em breve mandada para o além — talvez por uma bala da contrarrevolução que espreita de todos os lados. Mas, enquanto viver, continuo ligada a vocês pelo mais caloroso, fiel e profundo amor, e quero compartilhar com vocês todos os sofrimentos, todas as dores”.

 
São palavras surpreendentemente ponderadas e reconfortantes para uma personagem central na Revolução Alemã, que sacudia Berlim em meio ao fim da guerra e à crise econômica. Rosa era líder da comunista Liga Espartaquista e, no mês seguinte, fundaria o Partido Comunista Alemão. Era perseguida pelo governo social-democrata, especialmente pelo grupo de direita conhecido como Freikorps (futuro braço do nazismo). Sequer tinha coragem de voltar a seu apartamento e mudava de hotel com frequência para não ser presa. A carta se mostra profética. Dois meses depois, ela foi detida e assassinada (a tiros) pelos Freikorps e seu corpo foi jogado nas águas geladas do Landwehrkanal.
 
Visão irônica do papel de agente revolucionária
 
A carta está em “Rosa Luxemburgo: textos escolhidos”, coleção de três volumes com ensaios e cartas da autora, organizada pela filósofa Isabel Loureiro, professora aposentada da Unesp e colaboradora do Programa de Pós-graduação em Ciência Política da Unicamp. Dois livros tratam dos textos políticos da alemã de origem polonesa, reunindo clássicos do pensamento de esquerda como “Reforma social ou revolução?” (1899); “A Igreja e o socialismo”, (1905); “A crise da social democracia” (escrito na prisão, em 1916), e o polêmico “A Revolução Russa” (1918), em que critica o autoritarismo dos bolcheviques ao mesmo tempo em que elogia a coragem dos revolucionários russos.
 
Mas o volume mais curioso talvez seja mesmo o terceiro, que reúne as cartas que Rosa Luxemburgo escreveu para amantes e amigos, em especial as “Cartas da prisão”, nunca no Brasil (a editora Paz e Terra chegou a lançar, em 1983, o livro “Camarada e amante”, com trechos de cartas trocadas entre Rosa e seu grande amor, Leo Jogiches). As cartas escritas na prisão são mais formais, já que Rosa tinha todo o tempo do mundo para rever o texto (o que não significa que não sejam emotivas), enquanto as escritas até a Primeira Guerra e após a liberdade são mais livres e passionais.
 
— Não quis fazer um retrato psicológico de Rosa, mas as cartas dão uma visão mais completa da intelectual que muitos consideravam estóica e rígida, mas que se revela sensível, sonhadora, uma amante da natureza e das artes, amiga fiel e irônica. Isso pode ser uma surpresa para quem só conhecia a Rosa “sanguinária” — diz Isabel, que há mais de 20 anos pesquisa a obra da autora.
 
De fato, sua abordagem histórica e a visão irônica que tinha de si mesma como agente revolucionária encontram expressão ideal nas cartas. Como a escrita para a amiga Louise Kautsky, da prisão, em abril de 1917: “Veja, justamente da história dos últimos anos e, olhando a partir dela, da história como um todo, eu aprendi que não se deve superestimar a ação de um único indivíduo. Em última análise, são as grandes forças invisíveis, plutônicas, das profundezas que agem e decidem, e se poderia dizer que no fim tudo se acomoda ‘por si mesmo’. Não me entenda mal: não estou aqui expressando algum tipo de cômodo otimismo fatalista que busca disfarçar sua própria impotência, coisa que tanto odeio em seu prezado marido. [...] Mas como agora estou ‘em férias’ da história mundial, não por culpa minha, e sim imposição externa, eu rio à beça, fico feliz se a coisa anda mesmo sem mim e acredito firmemente que andará bem. A história quase sempre sabe a melhor maneira de encontrar a saída justamente quando de maneia mais desesperada parece ter se metido num beco sem saída”.
 
Isabel considera os textos de Rosa Luxemburgo publicados até agora no Brasil ou muito antigos ou mal traduzidos. As traduções da coleção foram feitas diretamente dos textos escritos por Rosa em polonês ou alemão, o que traz uma versão mais clara e fiel de clássicos do chamado “socialismo democrático”, como as notas críticas aos bolcheviques que Rosa escreve da prisão em 1918, publicadas por Paul Levi em 1922 com o título “A Revolução Russa”. Curiosamente, o texto foi publicado pela primeira vez no Brasil em 1946 e, na Rússia, somente em 1991. Stalin caracterizava-os como “semimenchevistas” e os estudiosos russos foram obrigados a combater o “luxemburguismo”, situação que só acabou com fim do culto ao ditador.
 
Na coleção, o humanismo de Rosa Luxemburgo ganha contornos ainda mais precisos, como no clássico trecho sobre a liberdade em “A Revolução Russa”: “Liberdade somente para os partidários do governo, somente para os membros de um partido — por mais numerosos que sejam —, não é liberdade. Liberdade é sempre a liberdade de quem pensa de maneira diferente. Não por fanatismo da ‘justiça’, mas porque tudo quanto há de vivificante, de salutar, de purificador na liberdade política depende desse caráter essencial e deixa de ser eficaz quando a ‘liberdade’ se torna privilégio”.
 
 
 
A tragédia humana na dicotomia Nós e Eles Tags: países ricos países pobres países desenvolvidos países subdesenvolvidos riqueza miséria pobreza crise econômica crise ambiental História

 

A tragédia humana na dicotomia Nós e Eles
Por Washington Araújo
 
 
No tempo em que o mundo não passava de uma fotografia em preto e branco, onde uma pequena parte ostentava riqueza e bem-estar social e sua maior parte apresentava apenas miséria e sofrimento humano em seus mais variados matizes, o processo civilizatório parecia caminhar a contento. Ninguém reclamava de nada. Era como se pudesse ouvir algo como “a justiça nada mais é que dar a cada um o que é seu; no caso, a miséria fica para os miseráveis”.
Porque a história pode ser vista como a eterna luta entre duas posições, geralmente antagônicas e irreconciliáveis: a posição do “Nós” e a posição do “Eles”. Nós, muitos, nada tínhamos e Eles, poucos, tinham tudo. Eles podiam apenas esperar sentados que o fruto de suas aplicações financeiras logo viriam eclipsar todo e qualquer fruto do trabalho humano.
Nós tínhamos que manter a água bem ao nível do nariz para não morrermos afogados e, restava tão somente, que continuássemos a sonhar com outro mundo possível, um lugar em que havendo pão e mel seria o próprio paraíso na Terra.
Eles se autoconcediam o luxo de produzir armamentos, em larga escala, destruindo todo e qualquer recurso humano e material para criar cinturões de defesa no espaço, na terra e no mar, submarinos com ogivas nucleares e escudos antimísseis, tecnologia bélica de ponta, aquela onde quem as dispõe pode aniquilar milhares de vidas em um dia, milhões em um mês e sem sofrer qualquer baixa humana do lado de cá.
Por alguns anos, não mais que um decênio e meio, descobriu-se que o eixo do mundo estava mudando e que as instituições há muito honradas pelo tempo eram tão sólidas quanto icebergs de gelatina. Descoberta após descoberta, qual criança que ainda engatinha, o mundo dito auto-suficiente, dito próspero, dito civilizado foi rapidamente pressionado a concluir aquilo que antes parecia ser de todo impensável:
 
1 – As nações por mais ricas que sejam não podem ser alimentadas com ações em bolsas de valores nem com bônus dos seus Tesouros Nacionais; as nações por mais pobres que sejam jamais abdicariam do sonho de liberdade, do estado do bem-estar social, mesmo que este sempre recebesse o rótulo de “doce utopia”, “terna loucura” “sumidouro de piegas intenções”;
 
2 – As nações por mais ricas que sejam não descobriram qualquer meio de se automanter a não ser o de se portar como ave de rapina depredando os recursos naturais, primeiro aqueles dentro de suas fronteiras geográficas, depois os dos elos mais fracos da corrente, as nações por eles empobrecidas ao longo dos séculos; as nações por mais pobres que sejam nunca pensaram em delegar a autodeterminação de seu destino, para terceiros, e ao contrário, sempre desejaram escrever com suas próprias mãos o seu futuro;
 
3 – As nações por mais ricas que sejam jamais poderiam criar um mundo auto-suficiente, inteiramente imune à pobreza, um mundo indevassável aos miseráveis da Terra e surdo aos seus lamentos, lamentos que irrompem tanto da fome quanto de epidemias; as nações por mais pobres que sejam sempre souberam que sua miséria poderia ser debelada a qualquer momento pelos mais ricos da Terra, devido à imensa facilidade com que mostraram perícia na arte de produzir medicamentos, remédios, antídotos;
 
4 – As nações por mais ricas que sejam não demonstraram capacidade moral suficiente para guiar suas novas gerações, formadas obviamente por massas de crianças e jovens, mantendo-os todas no círculo vicioso da avareza, materialismo e do sistema egocêntrico, onde tudo gira, revolve, respira e vive em função do indivíduo; as nações por mais pobres que sejam nunca se recusaram a oferecer soluções para problemas muitas vezes inimagináveis, pois são estas mesmas nações que foram formadas por séculos a fio no fogo da solidariedade, na comunhão do pão gerado pelo suor do rosto, seja do escravo às voltas com as chicotadas, sejam dos desempregados e subempregados nas minas de carvão, nas lavouras condenadas pelo agrotóxico e em ambientes absolutamente impróprios para a vida humana;
 
5 – As nações por mais ricas que sejam não lograram êxito em tornar inesgotáveis recursos naturais escassos, assim como não tornaram viável transformar a água dos mares oceanos em água potável, própria para o consumo humano e animal; as nações por mais pobres que sejam nunca descuidaram da certeza de que existe – sim! – um futuro comum a partilhar e nem mesmo se furtaram ao entendimento luminoso de que ‘aquilo que infelicita a parte infelicita também o todo’;
 
6 – As nações por mais ricas que sejam não conquistaram o poder de apagar da História da Humanidade os inúmeros experimentos de natureza econômica e social, como a esterilização em massa de grandes contingentes populacionais, a dizimação de tribos indígenas e de grupos étnicos milenares, todos estes apresentados na forma de planos de salvação econômica, planos em que a moeda corrente oferecida pelo devedor nada mais era que a sua própria fome; as nações por mais pobres que sejam entenderam desde o princípio dos tempos que havia um Todo-Ambiente a preservar e não um Meio-Ambiente a ser destruído de forma vil e cruel, objeto apenas de resoluções e documento feitos por organismos nacionais e multinacionais;
 
7 – As nações por mais ricas que sejam nunca tiveram – e continuarão sem ter – o direito moral e ético de fazer descer goela abaixo de 2/3 da população mundial aquelas suas contumazes políticas econômicas desumanas, em que a vida humana vale menos que um Big Mac na vistosa loja de horrores em que se transformou o cassino global, também chamado banca financeira internacional; as nações por mais pobres que sejam lutam por preservar o senso de dignidade humana, o sentimento de pertencimento a uma mesma espécie humana.
 
Como escreveu Pablo Neruda (1904-1973), um dos maiores poetas da língua espanhola em nosso século, Nobel de literatura em 1971, glória do Chile e da poesia universal: “Por que não amanhece na Bolívia desde a noite de Guevara? Ele, ainda continua ali, buscando os assassinos, seu coração assassinado?”
 
 
 
Minha estréia no youtube: Comunistas Vlog Tags: comunistas vlog comunismo comunismo no Brasil ditadura militar guerrilha luta armada Esquerda

 

Minha estréia no youtube

Comunistas Vlog

 

Iniciei um canal de vídeos no youtube. Nesse vídeo eu conto o que me motivou a criar este site e mostro um pouco do seu conteúdo.

 

Link do Canal: http://www.youtube.com/user/eduardolm17

#Pinheirinho - cronicas do terrorismo do Estado Tags: Pinheirinho fascismo nazismo Alckmin terrorismo de Estado extrema-direita PSDB violência preconceito social PM direitos humanos democracia

 

O Pinheirinho é do povo! 

crônicas do terrorismo do Estado

 

Desde domingo, dia 22 de janeiro de 2012, está acontecendo um massacre contra o povo em luta de São José dos Campos. 9000 pessoas da comunidade do Pinheirinho foram despejadas numa operação de guerra fascista e de terrorismo de Estado. O Governo terrorista de Geraldo Alckmin em nome dos abutres da especulação imobiliária, aplicou o império do mercado e da propriedade privada contra o direito a vida e a moradia. Atacando brutalmente e assassinando o povo do PInheirinho. A mídia corporativa e todas as autoridades responsáveis envolvidas nesta tragédia vem sistematicamente sabotando e ocultando informações que permitam à sociedade ter um quadro verídico do que aconteceu. Houveram inúmeras prisões, espancamentos e todo o tipo de agressão gratuita por parte dos policiais, usando indiscriminadamente de todo o seu aparato de "armas não letais" que visivelmente provocaram inúmeros feridos. Pelas imagens, ao contrário do que diz a imprensa e a PM, tanto GCM quanto PM estavam empunhando armas com balas de verdade durante os ataques. Os movimentos sociais vem denunciando o assassinato de pelo menos 3 pessoas durante o despejo genocida. E no entanto nada foi averiguado e o IML esconde os corpos, para não falar dos incontáveis feridos. É preciso que todos tenham acesso imediato à verdade sobre os mortos e feridos desse insólito episódio.

Este video traz imagens exclusivas e depoimentos do período da tarde dentro do Campo do Alemão onde se abrigavam mulheres e crianças despejadas que foram brutalmente violentadas em todos os seus direitos e do período da noite nos ataques da Guarda Civil Metropolitana de SJC usando balas de verdade e da PM de SP jogando bombas contra as famílias alojadas na Igreja.

Basta de terrorismo de Estado!
Eduardo Cury, o STJ de SP, PM de SP e o Governador Alckmin ASSASSINOS!
Viva a heróica resistência do povo do Pinheirinho!
Parem o massacre!

ass. Los solidários


Mais informações:
http://cspconlutas.org.br/
http://www.midiaindependente.org/

Pinheirinho, nova fronteira da luta política: por Miguel do Rosário Tags: massacre Pinheirinho direitos humanos Brasil violência Judiciário preconceito social impunidade corrupção PSDB pobreza fascismo

 

Pinheirinho, nova fronteira da luta política

​Por Miguel do Rosário

Pinheirinho saiu das manchetes e o núcleo duro da grande imprensa continua tentando aliviar a barra do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mas a injustiça fala mais alto. As denúncias vem caindo sobre o colo dos repórteres. E não estão no Portal da Transparência. Por exemplo, confiram esse vídeo. Não é o repórter que aborda a moradora, e sim esta que parte para cima dos jornalistas, desesperada, chorando muito:

Hoje o Elio Gaspari publica um texto lamentável, culpando as lideranças do Pinheirinho pela violência sofrida pelos moradores. Também culpa o governo federal, omitindo que autoridades locais atropelaram acordos que vinham sendo discutidos com a União, sem contar que a ação foi deliberadamente ocultada de todos os envolvidos, justamente para que houvesse o “ato consumado”.  A PM temia inclusive um choque com forças federais, então tudo foi feito para que não houvesse chance de defesa.

Não estou dizendo que o governo federal não tem culpa no cartório. A União tem sempre culpa também, por tudo. Mas a dispersão de responsabilidades apenas beneficia o principal responsável, o responsável direto: o governador Geraldo Alckmin.

Na blogosfera, o comentário que mais chamou atenção veio de Ricardo Boechat, âncora da Band, que faz acusações duríssimas contra o governador Geraldo Alckmin pela falta de sensibilidade social. Boechat lembrou a Alckmin que não adianta ir à Igreja, ler a Bíblia, e depois permitir que sua PM pratique uma barbárie contra pessoas pobres e indefesas. O jornalista também rechaçou a ideia de que havia “espertos” em Pinheirinho. “Quem é esperto não iria morar em Pinheiro. Isso é balela. Lá pode ter um esperto ou outro, como em qualquer lugar, mas a maioria é gente pobre e trabalhadora”.

A truculência é tanta que o governo se apressou em demolir as casas sem mesmo esperar que os moradores retirassem seus pertences.

E como prevíamos, o PSDB como um todo abraçou a ação tucana em Pinheirinho. É bom porque as coisas agora ficam mais claras.

Alguns setores da esquerda, no entanto, estão jogando um pouco de fumaça no episódio, ao fazer uma crítica generalizada às desocupações que ocorrem no Brasil, como um todo. Não é bem assim. Desocupar terrenos para construção de uma estrada, uma hidrelétrica, uma estação de metrô, um estádio de futebol, atende a uma função social maior, e na maioria dos casos há pagamento de indenizações e exaustivas negociações para que as famílias deixem o local. Chegou-se ao cúmulo de comparar Pinheirinho a Belo Monte, o que é uma estupidez. Belo Monte vai gerar bem mais emprego do que a quantidade de índios que moravam nas proximidades; haverá indenização em dinheiro, programas sociais, e não há policiais adentrando a aldeia pela madrugada, espancando gente, nem tratores derrubando as casas com tudo dentro. A desocupação é feita de maneira ordenada, pacífica, lenta, ao longo de meses. Não é uma ação militar de “Choque e Terror”, como se Pinheirinho fosse um amontoado de talibãs terroristas.

Por falar em Belo Monte, uma amiga me perguntou se os atores da Globo irão fazer um vídeo de protesto à violência em Pinheirinho… Cade o pessoal da Gota?

Nenhuma cidade teria metrôs, museus, avenidas, viadutos, trens de superfície, estádios, sem promover desocupações. O problema não é desocupar, é como a ação é realizada. No caso de Pinheiro, além de truculência, falta de planejamento,  artimanhas para ludibriar acordos, açodamento, há um vazio aterrador no próprio sentido da ação. Para quê?

O caso de Pinheiro é um absurdo porque a desocupação não teve nenhuma finalidade urbanística, industrial ou pública. Tratou-se apenas de restituir o terreno à massa falida de um especulador condenado, Naji Nahas. O sujeito quebrou a bolsa do Rio, foi preso na Satiagraha por envolvimentos nos esquemas de lavagem do dinheiro da corrupção, e mesmo assim o governo de SP e sua Justiça se dão ao trabalho de pôr seus interesses acima de qualquer ponderação humanitária ou social.

Outra crítica que tenho lido é sobre a exploração política do caso. Isso existe mesmo. Mas essa não é uma característica da democracia? Alguns setores acham que vivemos ainda numa ditadura, e que se pode brutalizar seis mil pessoas, jogá-las em abrigos infectos, sem banheiros, sem água, sem colchões, demolir suas casas com tudo dentro, e ainda assim não se pode protestar? E qual a melhor forma de protesto que não o protesto político? O que é mais democrático e pacífico do que pressionar um governador truculento e autoritário através de uma confrontação política?

A mídia e segmentos da direita tentam continuamente criminalizar a política, com isso deixam transparecer os vícios adquiridos na ditadura, quando qualquer protesto social era considerado subversivo, ou a serviço do “partidão”.

É interessante acompanhar o comportamento dos repórteres. Quando há uma “crise política”, eles perseguem ministros e a própria presidente da república em toda parte, acuando-lhes com as mesmas perguntas. Não fazem a mesma coisa com Alckmin, ou com qualquer político tucano.

As manifestações da OAB, duríssimas, contra a desocupação de Pinheirinho, são registradas em notinhas. Se fossem contra o PT, converter-se-iam em manchetes garrafais.

Pinheirinho tornou-se um marco da luta política no Brasil, uma chance de estabelecer um confronto de visões de mundo, entre aqueles que ainda consideram o problema social uma questão de polícia, e os que  almejam construir soluções através do diálogo e da ação política concreta.

A oposição vive acusando o lulopetismo de ter “cooptado” os movimentos sociais. Eles tem ódio do governo ter ouvido os movimentos, atendido alguns de seus pleitos.  Agora sabemos (ou melhor, lembramos) a sua verdadeira opinião sobre a maneira como esses movimentos devem ser tratados. Na base de porrete, gás lacrimogênico, tratores. Podemos ter a certeza que governos tucanos jamais “cooptarão” os movimentos sociais. Eles preferem “a solução final”.

Atualização: Matéria recente do site Espresso SP sobre a situação no Pinheiro.

Fonte: o cafezinho

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