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Poderia ser uma cronica de O Globo Tags: Jornal O Globo imprensa mídia golpista PIG chatice economia manchetes humor ruim humor discreto crônicas qualidade vendagem

 

Poderia ser uma crônica de O Globo

Por Douglas Prima

O que uma crônica precisa ter para se tornar 'boa' aos olhos de quem a lê? Conteúdo?

Humor? Tem que ser a narração de um fato? Tem que ser ficção? Ou apenas palavras? Ou quem sabe 'as' palavras?

Fui leitor de O Globo por um tempo considerável e, sempre que posso, retorno às origens. Amo jornal e quem me conhece, sabe por que deixei de gostar. Não. Deixar de gostar não é termo apropriado, pois, dá a impressão de que os jornais mudaram com o passar do tempo. Mudaram sim, obviamente, mas não foi esse o motivo. Eu mudei.

Com o passar do tempo, fui percebendo que, mais do que informar, os jornais de uma maneira geral precisavam vender. E isso não se tornou claro depois do advento da internet não. Aqueles filmes que retratam um menino vendendo jornais nas esquinas de Nova Iorque representam bem o que estou tentando mostrar. "Extra, extra: mulher é estuprada, esfaqueada e serrada em pedaços por um colega de turma!" Era isso que os nova-iorquinos ouviam. E era isso que os fazia comprar o jornal. eles não falavam: "Extra, extra: alta do dólar faz despencar o preço dos importados, aumentando o poder de compra da alta classe!" pelo simples fato de que essa manchete não vende. Não vendia na época e não vende hoje, nem venderá daqui há 44 anos.

Mas, os leitores mais conservadores e exigentes talvez se questionem quanto ao conteúdo de um jornal, tanto na época quanto agora. Já que um jornal não traz apenas manchetes e notícias. Traz entretenimento, ciência, informação, esportes e música. Colunas semanais, diárias e convidados especiais. Sim, mas todas as áreas de um jornal atendem a necessidade de um público específico: o que compra.

Esqueçam a arte e boa escrita se precisarem vender. E precisamos vender todos os dias.

Vendemos nossa imagem diariamente. Vendemos nossa imagem ao aparecermos a uma entrevista de emprego, e, depois que conquistamos o emprego, precisamos continuar vendendo nossa imagem para mantê-lo. Vendemos nossa imagem para o nosso cliente. Quantas vezes sentiu vontade de mandar alguém pastar ou ter relações anais com um poste? Eu sinto vontade de mandá-los aos prantos para os raios que os partam pelo menos duas ou três vezes por dia. Mas, não o faço, pelo menos não com freqüência, já que preciso manter meu emprego. Mas, existem formas de mostrar que está insatisfeito com determinada postura sem necessariamente ferir os padrões de ética de convivência.

É nesse momento do meu raciocínio que me pergunto por que os jornais não fazem

o mesmo? Poderiam continuar sendo vendáveis sem, no entanto, apagarem a arte literária.

Poderiam vender sem apelar para mentiras ou piadas sem graça.

Não preciso de palavrões para achar algo engraçado, mas, por que os caras que me divertem no teatro ficam tão sem graça e patéticos quando aparecem no jornal ou na TV? Por que as crônicas semanais são tão sem sal? O humor é sempre discreto. Gosto de humor discreto, tanto quanto gosto de ricota. Mas, não comeria ricota diariamente. E sabe por quê? Por que enjoa.

Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/3245602

Jornalista da Globo diz (sem querer) que emissora ajudou os terroristas do Riocentro Tags: Atentado do Riocentro Globo terrorismo terroristas ditadura militar COMUNISTAS Merval Pereira coronel Newton Cerqueira PIG Roberto Marinho

 

Jornalista da Globo diz (sem querer) que emissora ajudou os terroristas do Riocentro

inspetor clouseau

Inspetor clouseau (da Pantera Cor-de-rosa) e Merval: A aparência e a burrice são meras coincidências

 

Reproduzo abaixo texto do Blog os amigos do presidente Lula com a denúncia de que a Globo acobertou os militares terroristas que tentaram explodir uma bomba no show do Riocentro em 1981. O objetivo era culpar a Esquerda Armada (já extinta) e evitar o fim da ditadura militar e a redemocratização do Brasil. Mais detalhes sobre o atentado você pode ver nesse post: [Entenda o que foi o atentado do Riocentro]. Em seu discurso na ABL o jornalista Merval Pereira provou mais uma vez que a burrice é imortal e acabou confessando que a Globo esperou o crime prescrever para somente depois dizer os nomes dos envolvidos no atentado. 

 

 

Merval confessa que Globo só publicou a verdade do Riocentro quando o crime prescreveu 

Dezoito anos depois, em 1999, 

O GLOBO deu outro "furo"... 

O crime prescrevera...

Merval Pereira, 23/09/2011


A impunidade é a mãe da corrupção. Com a impunidade, o crime compensa para quem é corrupto. Uma das estratégias mais comuns dos corruptos para "conquistar" a impunidade é deixar o tempo correr até a prescrição do crime.

Em seu discurso de posse na ABL (Academia Brasileira de Letras), o "imortal" Merval Pereira (PIG/RJ) cometeu um ato falho:

Confessou que "O Globo" só publicou algumas verdades sobre o atentado do Riocentro depois que o crime prescreveu. Eis o trecho do discurso:

Trago comigo um exemplo de como o jornalismo pode auxiliar essa busca da verdade. Em 5 de maio de 1981, eu escrevia a coluna política do Globo chamada "Política Hoje Amanhã", e tive acesso à informação de que o laudo da explosão do Riocentro, ocorrida dias antes, no dia 1 de Maio, havia confirmado a presença de outras duas bombas no Puma dirigido pelo capitão Wilson Machado.

A notícia foi manchete do Globo, deixando claro que a versão oficial de que a bomba fora colocada no carro por terroristas de esquerda apenas encobria a verdade da tentativa do atentado.

Dezoito anos depois, em 1999, O GLOBO deu outro "furo", que provocou a reabertura do caso. A série de reportagens de Ascânio Seleme, Chico Otavio e Amaury Ribeiro Jr. ganhou o Prêmio Esso de Reportagem daquele ano e reabriu o caso, transformando o Capitão Wilson Machado e o sargento Guilherme Pereira do Rosário de vítimas em réus.

O crime prescrevera, mas a verdade estava restabelecida. Eu era o diretor de redação do Globo naquela ocasião, e senti como se um ciclo histórico tivesse sido fechado, com a minha participação.


Por trás destas belas palavras, dando uma conotação de epopéia heróica ao seu jornal e a si próprio, está legível nas entrelinhas com toda a clareza dos fatos:


Só 18 anos depois, quando o crime prescrevera, o jornalão deu o "furo"!  


Vamos à cronologia dos fatos reais:
- O atentado do Riocentro foi no 1º maio de 1981.
- Havia um racha dentro do governo da ditadura: um grupo de militares (fiéis ao regime) que não tinham rabo preso com o atentado queria apurar. Outro grupo ligado ao SNI (Serviço Nacional de Informações), envolvido com os autores e mandantes do atentado, queria abafar.
- Os militares que queriam apurar, começaram conduzindo as investigações do atentado. Foram as fontes do Merval em 5 de maio de 1981, ou seja, fontes oficiais da própria ditadura.
- Em seguida o grupo ligado ao SNI que queria abafar prevaleceu, sob intensa pressão, afastando do inquérito os militares que queriam apurar a verdade.
-  O que Merval não conta em sua "epopéia heróica" é que o jornalismo da Globo voltou atrás e anunciou que as imagens das bombas eram de extintores de incêndio (a nova versão oficial divulgada pela turma do SNI).
- "O Globo" virou a casaca e passou a publicar as novas versões oficiais do SNI, inclusive dando suporte midiático para tentar convencer a opinião pública do resultado final do vergonhoso IPM (inquérito policial militar), que não convenceu ninguém porque apresentava uma versão tão fantasiosa dos fatos para inocentar os culpados, que ofendeu a inteligência até dos militares que não tinham rabo preso com o episódio.
- Em 1985, o poder voltou às mãos civis, restabelecendo as liberdades. "O Globo" manteve o silêncio dos cúmplices.
- Em 1988 a Constituição Federal entrou em vigor sacramentando as garantias para as liberdades civis, como a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. "O Globo" manteve o silêncio.
- Em 1989 houve a primeira eleição direta para Presidente da República, em 1994 a segunda e em 1998 a terceira.
- Por que o jornalão esperou 1999, para deixar repórteres seguirem a pauta dos "furos" que havia no IPM oficial?
Uma pista, o próprio Merval cita em seu discurso: o crime estava prescrito.

 

Extrema direita universitaria se alia a skinheads Tags: extrema-direita nazismo skinheads conservadores racismo homofobia anticomunismo universitários UCC União Conservadora Cristã USP nazistas

 

Extrema direita universitária se alia a skinheads

Por Nara Alves e Ricardo Galhardo

Jovens estudantes neo-conservadores fogem ao estereotipo de arruaceiros mas defendem ação violenta das gangues

 

Eles não são fortões, não lutam artes marciais, não usam tatuagens com suásticas e preferem os livros e computadores às facas e socos ingleses. Em vez de estações de metrô e shows de punk rock, seu habitat natural são as quitinetes apertadas do Crusp ou os vastos gramados da USP (Universidade de São Paulo). Eles são os neoconservadores, jovens universitários que defendem valores como o direito à propriedade e a fidelidade matrimonial.

À primeira vista, parecem mais universitários comuns, magricelas, com suas calças largas, camisetas amarrotadas e a barba por fazer. Mas apesar de estarem longe do estereotipo do jovem arruaceiro, cerraram fileiras ao lado de skinheads musculosos nas marchas em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e na anti-Marcha da Maconha.

Tumulto entre a polícia, Skinheads e militantes de Esquerda no ato pró Bolsonaro

“Estamos aqui para batalhar tanto intelectualmente quanto fisicamente”, apregoa Celso Zanaro, 22 anos, estudante de Geografia da USP. “O que precisamos é de homens dispostos a morrer por seus valores”, completou.

Zanaro é um dos quatro integrantes do núcleo duro da União Conservadora Cristã (UCC), organização criada em julho do ano passado nos corredores da USP com os objetivos declarados de defender valores como o casamento, a fidelidade conjugal, direito à propriedade e combater o predomínio do pensamento marxista no meio acadêmico e político.

Pouco mais de um ano depois da criação, a UCC conta com 16 membros, 14 da USP e dois da Unicamp. Parece pouco mas nas eleições para o diretório central da USP, os neoconservadores ficaram em 5º lugar entre as dez chapas concorrentes.

“Na época da campanha fomos procurados pela juventude do PSDB mas não dá para fazer aliança aqui dentro”, disse Zanaro.

Em mais de duas horas de conversa, entre um cigarro e outro, o estudante citou pelo menos 15 autores conservadores, muitos deles nunca traduzidos para o português. Mas as principais referências do grupo são o jornalista Olavo de Carvalho (que defende a pena de morte para os comunistas), o integralismo (versão brasileira do nazismo) de Plínio Salgado e o ultra-conservadorismo de Plínio Correia de Oliveira, fundador da extinta TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Sobre a ditadura militar, Zanaro diz: “Se negarmos com veemência a ditadura não estaremos fazendo nada a mais do que reforçar o discurso comunista. A ditadura foi necessária num contexto”.

Na verdade, ele lamenta a falta de pulso do comando atual das Forças Armadas por não intervir no governo Luiz Inácio Lula da Silva durante o escândalo do mensalão.

“A função das Forças Armadas é respaldar as instituições democráticas. O Legislativo é uma delas. A partir do momento em que existiu um esquema para comprar o Legislativo e as Forças Armadas não depuseram o presidente, elas não cumpriram seu papel”.

Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.

Embora tenha resistido à abordagem da juventude tucana, a UCC votou em massa em José Serra nas eleições presidenciais do ano passado, mas com ressalvas. “Serra é um sujeito que, embora tenha se aliado a setores conservadores e renegado uma postura mais virulenta de esquerda, não abandonou totalmente estes ideais”, justificou.

Vote num careca e leve vários!

Os integrantes da UCC dizem ser contra qualquer tipo de violência mas não escondem a admiração pelos skinheads, aliados de ocasião. “Essa postura de combate me inspira muito. Uma inteligência que não está disposta ao combate é uma inteligência vazia”, disse Zanaro que, no entanto, faz questão de demarcar o território. “Eles se dizem de extrema-direita mas o líder deles é vegetariano”.

A aproximação tem base na argumentação ideológica dos neoconservadores, segundo a qual é necessária uma elite intelectual que sirva de referência para a massa. “Uma massa conservadora sem uma elite é uma massa de manobra. Não existe educação para as massas. Precisamos de uma alta cultura que sirva de referência para estas massas”, disse Zanaro.

Apesar da aproximação com grupos que, no limite, praticam a intolerância contra minorias, o líder da UCC esclarece que o movimento não tem ligações como nazismo. “Não somos neonazistas. Ao contrário. Defendemos o estado de Israel”.

Fonte: Último Segundo

 

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Depois de ser abandonado pela Globo e pelo PSDB. Jose Serra vai ao Rock in Rio so para aparecer Tags: José Serra Slipknot Globo Rock in Rio PSDB Humor Rede Social Comunistas

 

Depois de ser abandonado pela Globo e pelo PSDB. José Serra vai ao Rock in Rio só para aparecer

 

 Tô mentindo?! kkkkkkkkk...

Deus é brasileiro: por Douglas Prima Tags: Deus é brasileiro Brasil injustiça social fundamentalismo religioso ateísmo povos indígenas índios violência violência urbana

 

Deus é brasileiro

Por Douglas Prima

Essa afirmativa sempre me assustou. Antes mesmo de entender a verdade por trás dos panos, já tinha concluído que havia muita coisa errada com a famosa e usual frase. Em primeiro lugar, pressupondo-se que deus realmente exista – o que é cientificamente impossível afirmar dadas às circunstâncias em nos encontramos, também não convém entrar nesse ponto agora – ele deveria compartilhar sua naturalidade com povos muito mais antigos que nós. Os egípcios ou os persas, talvez. Teriam os celtas, até mesmo os maias, apesar de estes últimos me parecerem pouco prováveis. Existiriam ainda muitas pressuposições de povos muito mais antigos que habitavam o velho mundo para afirmarmos arrogantemente que o ser supostamente mais antigo do universo compartilharia nossa mesma nacionalidade.

Outro ponto a ser seriamente considerado nesse momento seria o seguinte: se deus, que sempre existiu, fosse brasileiro, então, o universo, que passou a existir depois de deus, seria... O Brasil? Ao afirmarmos que deus é brasileiro estamos compartilhando a idéia de que deus nasceu no Brasil, por isso o fato de ser brasileiro, entretanto, me confunde o seguinte: se deus sempre existiu e o Brasil, ou um simples pedaço de terra, posteriormente denominado continente americano e ainda depois chamado de Brasil, veio a ser sua terra natal, então o Brasil sempre existiu? O nosso país não foi criado? Então nossa pátria é deus? Teríamos uma ‘quadrindade’assim?

Deixando os pensamentos tortos de lado, sabendo que muitos já desistiram da empreitada de tentar ler o texto, após a sua chata introdução, contrariando o atrativo tema, falemos do que realmente importa, afinal nossas origens são a nossa menor preocupação no momento. Brasileiro gosta de ser o coitadinho. Não. Não gostamos de SER, mas gostamos de PASSAR essa imagem. É diferente e sabemos disso. Passamos uma imagem de que tudo o que vem de fora é melhor. Sapatos importados, carros importados, relógios, equipamentos eletrônicos, vídeos games e uma série de nomes estrangeiros aderidos ao nosso tão vasto vocabulário. Outro dia li em um fórum que até os cigarros americanos, da mesma marca que os daqui, porém produzidos lá, eram melhores.

Isso já é um fato. Estamos conformados que o que vem de fora é de fato melhor, não só por ser mais caro, mas por ter mais ‘glamour’. Ao afirmarmos que deus é brasileiro, corroboramos essa imagem de inferioridade. Ter deus ao nosso lado, não nos torna mais fortes, mas, pelo contrário, mais fracos. Somos ainda predominantemente católicos e, ainda que fôssemos protestantes, ainda seríamos um país cristão. Assim sendo, o tal deus reverenciado como nosso compatriota deve ser o deus cristão. Esse deus cristão, no decorrer de sua história, tem fama de fazer seu povo servir como escravo. 400 anos de escravidão egípcia não foram o bastante para o Pentateuco. Síria, Medo-Persa, Babilônia e ainda os Romanos. Os períodos de escravidão sempre terminaram em guerra e morte e com deus dando a vitória a seu povo sofrido e infiel.

Imagino que seja isso que o brasileiro esteja esperando quando afirma que deus é brasileiro. Uma reviravolta como nos filmes onde o mocinho revida depois de muito apanhar. Algo sobrenatural e romântico. Revelador e assustador. Atemorizante e tranqüilizante. Uma vitória sem esforços. Se deus é por nós, então quem será contra? Não precisamos lutar. Na hora certa, ele agirá. Ele, não nós. Conformismo.

Sabe aquela sensação de orgulho ferido quando alguém nos insulta, mas nada podemos fazer no momento, pois uma ação estaria longe de nosso poder atual? É instintivamente natural esperarmos uma retaliação suprema advinda da própria natureza. Da seleção natural ou de deus, seja ele qual for. Esperamos justiça. Pensamos em processos e vislumbramos em nossas mentes o dia de julgamento, onde aquele que nos feriu um dia terá de se justificar e pagar pelos seus erros. E, nesse dia, ele terá de reconhecer quem somos e nosso valor. Então acordamos e vemos que não é bem assim. Então voltamos a lutar nossa batalha que é a vida e com o tempo esquecemos o rancor. Um dia talvez até tenhamos nossa recompensa, mas mesmo que não, nem sentimos falta. Essa é a verdade.

Mas, a fé em um deus que compartilha nossa nacionalidade é maior do que qualquer sensação de viver o que é real. Gostamos de ser vistos como um povo pacífico e cordial, pois, temos fé que, qualquer um que se meta em nosso caminho será punido. Como somos burros!

Não conseguimos nos lembrar – e nisso a mídia tem de fato nos ajudado – da tantas guerras travadas com muita violência para que conseguíssemos a liberdade que hoje temos. (E como é limitada essa tal liberdade!) Não conseguimos ver que vivemos uma guerra atualmente. E não é bem contra o tráfico. Não conseguimos ver o quanto somos tolos? Os comerciais de cerveja que mostram o cliente como um idiota batendo palmas para malucos endinheirados dançarem? Dancem com tubarões, macacos, dancem! Rebolem os traseiros e cantem: Nananana! Sinto falta da peste. Ela matava de forma mais digna. Coqueluche, tuberculose, até a gripe matou com mais classe. Agora, esse ostracismo atual? Essa retumbante ignorância e conformismo? Preconceitos infundados, o nível educacional, os salários. Nossos professores já ganharam 17 salários mínimos, quando hoje não ganham nem 2.

Nossa nação sofre de morte cerebral. E deus é nosso guia. Como está em nosso dinheiro: louvado seja deus e dane-se o estado laico. Os maus irão pagar quando chegar sua hora. Mas, é a hora de deus. Não. Deus não é brasileiro. Nossos índios são.

No ano de 1.500, quando os portugueses chegaram por aqui, existiam cerca de 5.000.000 índios nativos e brasileiros. Ainda não existia uma nação, as a terra sim. E era deles. É deles. A população de não-índios era de 12.000. Quinhentos anos depois os não-índios passaram para a soma extraordinária de 190.000.000. Como crescemos certo? Errado. Os verdadeiramente donos da terra foram dizimados. Existem apenas 500.000. Eliminamos 1.000.000 de índios por século. Tentamos catequizá-los, escravizá-los, mas como não funcionou, tomamos a terra deles e os mandamos pastar. Pastar sem terra, caçar sem caça. Morrer sem ter terra para serem enterrados. Nem faz mais diferença, já que seus costumes há muito já foram perdidos. Sua cultura? Dane-se. Sua língua? Aquele ronco de porco? Dane-se. Sua honra? Dane-se.

E pensar que são sujeitos honrados. Preferem morrer lutando a morrerem velhos. Já nós, brasileiros com deus ao nosso lado, queremos morrer velhos e cheios de bens, com a família nos bajulando. Uma legião de filhos ricos com as bundas impregnadas de hipoglós. Não há guerra, a não ser que sejamos atingidos por uma bala ou que tenhamos um filho seqüestrado. Mas, mesmo que isso ocorra, não há com o que nos preocuparmos. Deus está ao nosso lado e fará algo. Não sabemos nem o que, nem como ou quando, mas temos que ter fé. Quando começar a chover e a sua rua inundar, ajoelhe-se e comece a orar. Se sua casa começar a cair aos seus pés, pode ser que chegou sua hora. Tenha fé e morra com honra como nossos índios. Afinal, histórico de mortes é com nosso bom e querido deus brasileiro mesmo.

Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/3236795

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