HUGO CHÁVEZ - sete vídeos: o primeiro é um registro de depoimentos autobiográficos; o segundo e o terceiro (documentários), e o quarto (um debate apresentado pela TV mexicana), focalizam a revolução bolivariana; o quinto traz um depoimento de Eduardo Galiano sobre o suposto "tirano" latinoamericano; o sexto, uma discussão na TV espanhola, em janeiro deste ano, com participantes que vivenciaram o atual processo venezuelano, aborda o legado de Chávez e o futuro da Venezuela; o sétimo, em duas partes, a premiada série da TV pública argentina, Presidentes da América Latina.
Pediria a todos que hoje, um dia após a morte de Hugo Chávez, pelo menos por algum tempo, esqueçam o que a Mídia Conservadora dirá sobre ele. Se jornalistas e comentaristas sem escrúpulos comemorarem como uma vitoria para eles, só demonstra o quanto imbecis eles são. Pois comemoram a morte natural de quem nunca conseguiriam derrotar em vida.
Aqueles que hoje não conseguem disfarçar o sorriso pela ida sem volta de Chávez, são os mesmos que apoiaram a farsa sangrenta: tiros de snipers disparados na cabeça de manifestantes antichavistas para incriminá-lo. Sim! Aqueles autoproclamados “defensores da liberdade de expressão da oposição venezuelana” não tiveram nenhuma pena de matar seus próprios companheiros para iniciar uma farsa sórdida que serviu de justificativa para o golpe contra Chávez.
Alguém se lembra o nome do assassino de Che Guevara? Quase ninguém também se lembrará do nome do golpista que assumiu o poder, por um curto período de tempo, depois do fracassado golpe de 2002. A História é realmente cruel com os canalhas.
Quem se importa com o que dirão os editoriais de jornais cada vez menos lidos? Se daqui a 100 anos os livros de História registrarão que Hugo Chavéz foi o único presidente que resistiu a um golpe de Estado planejado pelos Estados Unidos.
O importante não é a revolução mas o que permanece depois dela: um Judiciário eleito pelo povo, um Exército Revolucionário, Justiça Social, um país sem analfabetos, um governo popular, uma aliança contra a pobreza, tudo isso permanecerá.
Chávez mostrou-nos como a grande imprensa trabalha em defesa dos interesses dos Estados Unidos na América Latina. E daí que essa imprensa dará destaque ao fato de Barack Obama não ter lamentado a morte de Chávez. Esse fato apenas diminui, ainda mais, o próprio Obama, que já se apequenou após tantas promessas não cumpridas dentro e fora de seu país.
Chávez mostrou que a Esquerda pode chegar no poder através do voto popular, que pode fazer um bom governo e ainda resistir a ataques externos. Esse será o legado de Chávez para a América Latina.
Em entrevista à Carta Maior, concedida na embaixada do Equador no Reino Unido, Julian Assange fala sobre seu novo livro, "Cypherpunks: liberdade e o futuro da Internet" (Boitempo, 2013), e analisa a situação da mídia mundial. "O abuso que grandes corporações midiáticas fazem de seu poder de mercado é um problema. Nos meios de comunicação, a transparência, a responsabilidade informativa e a diversidade são cruciais. Uma das maneiras de lidar com isso é abrir o jogo para que haja um incremento massivo de meios de comunicação no mercado", defende.
"Este livro não é um manifesto. Não há tempo para isso. Este livro é um alerta." Julian Assange, na introdução de "Cypherpunks".
"Cypherpunks -- liberdade e o futuro da internet" é o primeiro livro de Julian Assange, editor chefe e visionário por trás do Wikileaks, publicado no Brasil pela Boitempo. O livro é resultado de reflexões de Assange com um grupo de pensadores rebeldes e ativistas que atuam nas linhas de frente da batalha em defesa do ciberespaço (Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann).
Apesar de a internet ter possibilitado verdadeiras revoluções no mundo todo, Assange prevê uma grande onda de repressão, a ponto de considerar a internet como uma possível ameaça à civilização humana devido à transferência do poder de populações inteiras a um complexo de agências de espionagem e seus aliados corporativos transnacionais, que não precisarão prestar contas pelos seus atos. O livro reflete sobre a vigilância em massa, censura e liberdade, mas o principal tema é o movimento cypherpunk, que defendem a utilização da criptografia e métodos similares como meios para provocar mudanças sociais e políticas.
Em busca de ideias poderosas que podem transformar o mundo, o fundador do WikiLeaks se depara com um caso que guarda semelhanças com a sua própria trajetória.
Após ter sido Vice Primeiro-Ministro da Malásia na década de 90, Anwar Ibrahim foi expulso da política e preso por acusações de corrupção e crimes sexuais – no caso, sodomia, considerada ilegal no país asiático. Após seis anos no cárcere, ele foi inocentado das acusações. Mas, em 2008, teve que enfrentar novas acusações por crimes sexuais e encarar uma batalha legal de quatro anos. Só foi inocentado em janeiro de 2012.
Para ele, seu país é ainda menos democrático do que o vizinho Burma. Ele descreve democracia como “um judiciário independente, uma mídia livre e uma política econômica que pode promover crescimento e a economia de mercado”. Com essa plataforma, seu partido está ganhando mais apoio da população, chegando a ser uma ameaça ao atual governo nas próximas eleições gerais de 2013.
Agora, Ibrahim é acusado de ter participado em uma marcha por reformas eleitorais – reuniões não autoirzadas também são consideradas crime – o que pode comprometer suas ambições eleitorais. Mas, durante a entrevista, ele se mostra otimista quando relembra a última campanha, em 2008. “Ganhamos 10 dos 11 mandatos parlamentares, então acredito que estamos maduros para um tipo de Primavera Malaia através do processo eleitoral”, diz.
Ninguém poderia tê-las previsto. Mas ainda com o mundo sob o efeito das revoluções no Oriente Médio, Assange se reuniu com dois pensadores de peso para saber o que eles pensam sobre o futuro.
Noam Chomsky, renomado linguista e pensador rebelde, e Tariq Ali, romancista de revoluções e historiador militar, encontram na Primavera Árabe questões sobre a independência das nações, a crise da democracia, sistemas políticos eficientes (ou não) e a legião de jovens ativistas que tem se levantado para protestar no mundo todo. ”A democracia é como uma concha vazia, e é isso que está revoltando a juventude, ela sente que faça o que fizer, vote em quem votar, nada vai mudar. Daí todos esses protestos”, explica Ali.
“O que temos na política ocidental não é a extrema esquerda e nem a extrema direita, mas um extremo centro”, continua ele. “E esse extremo centro engloba tanto a centro-direita quanto a centro-esquerda, que concordam em fundamentos: travando guerras no exterior, ocupando países e punindo os pobres, punindo por meio de medidas de austeridade. Não importa qual o partido no poder, seja nos Estados Unidos ou no mundo ocidental… “.
Segundo o próprio Ali, a grande crise da democracia está pulsando nas mãos das corporações. “Quando você tem dois países europeus, como a Grécia e a Itália, e os políticos abdicando e dizendo ‘deixem os banqueiros comandar’… Para onde isso está indo? O que nós estamos testemunhando é a democracia se tornando cada vez mais despida de conteúdo”, critica o ativista.
Mas após as revoluções, as conquistas vêm da construção de novos modelos políticos, inventados. Chomsky cita a Bolívia como exemplo. “Eu não acho que as potências populares preocupadas em mudar suas próprias sociedades deveriam procurar modelos. Deveriam criar os modelos”. Para ele, a chegada da população indígena ao poder político através da figura de Evo Morales está se replicando no Equador e no Peru. “É melhor o Ocidente captar rápido alguns aspectos desses modelos, ou então ele vai se acabar”, alerta Chomsky.
Por outro lado, está na mãos dos jovens perceber a necessidade de agir, segundo Tariq Ali. “Não desistam. Tenham esperança. Permaneçam céticos. Sejam críticos com o sistema que tem nos dominado. E mais cedo ou mais tarde, se não essa geração, então nas próximas, as coisas vão mudar”.